quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Velhos amigos


O tempo passou e eu nunca pensei que ao olhar para o porta retrato onde impresso esta a fotografia de nossa turma de amigos fosse formar este nó em minha garganta e um acumulo de lágrimas querendo sair. É hoje somos apenas fragmentos soltos, cada um com sua vida lutando por seus sonhos, nos perdemos naquele ano onde estávamos presos em um abraço conjunto e em juras de amizade eterna, o eterno se perdeu. E logo eu que nunca acreditei nessas coisas de amizade arrematadora estava certa, e posso dizer que infelizmente estava certa, porque vocês fazem muita falta aqui. Vejo-me nas tarde sentada na poltrona de minha casa me recordando das brincadeiras de verdade e consequência e no tombo que vocês sempre levavam dela quando assistíamos aos filmes de terror, quer dizer, vocês assistiam, eu preferia ficar estourando as pipocas para a futura guerra de comida. Vejo-me sorrindo sozinha quando me recorda de como éramos meio depravados, mais não de atos e sim de palavras, nossas bobeiras sempre nos completavam, sem falar nas musicas e danças retardadas e na bagunça que fazias na sala de aula, até hoje não sei como saímos da escola. Um dia eu aprendo a me aturar como vocês me aturaram e a me cuidar como você me cuidaram, e eu devo sim agradecer por cada conselho e afago. As manhas eram pequenas para nós e nossas aventuras no parque, naqueles dias que estávamos cansados da estupides de nossos professores e preferíamos viver perigosamente dentre as arvores de lá, sim era meio sinistro. Sinto falta de abraçar vocês, de me ser com vocês, e lamento por o tempo não poder voltar. Sinto falta de ser nossa “família”, sermos “macacos”, “depravados”, sermos nós, e eu devo agradecer a Deus por ter colocado vocês em meu caminho um dia e pedir a ele que abençoe vocês todos os dias, eu sinto tanta falta. Nunca pensamos que a vida de adulto seria tão complicada assim, tão cruel que veio a nos afastar, mais eu sei que enquanto existir as lembranças vocês estarão vivos aqui, em meu pensar e nas minhas saudades, até o dia em que possamos nos reencontrar ou não, apenas saibam que vocês foram os melhores amigos que pude ter amigos sim se Deus quiser. 

- Andressa Andrew

Escritora da saudade


E de pouco saber viver no presente me vejo então escritora da saudade, dedilhando sobre as teclas sutis entre letras de um papel vago as lamentáveis nostalgias de uma época em que sabia ser. Pois a vida é meio que assim, viver é relativo a ser, pois quem sabe desvendar-se e cravar esses detalhes no cotidiano se sobressai, e saem, e vivem e estão repletos da almejada felicidade idealizada por tantos. A minha eu idealizo todos os dias em textos imensos de frases clichês e profundas ao mesmo tempo, com a esperança de que um dia elas venham a se reerguem, criem vida e sejam reais, pois eu já ando cansada de fazê-las nascer e em todas lamentar sempre a realidade. Talvez eu deva mesmo continuar sendo impressa por mim mesma em letras garrafais, ou até mesmo continuar recitando minhas rotinas incessantes para que em cada virgula, ponto ou reticencia eu possa ter esperanças de que esses versos um dia sejam poemas, daqueles bem intensos e arrebatadores, que fazem os pelos arrepiarem e o coração pulsar mais forte, que a minha vida possa finalmente ser um adrenalina solta na veia. Que os beijos sejam intensos, que os lenções sejam desarrumados, que as mãos corram pelo corpo, que eu gire em minha loucura de ser. Que a pele transpire, que os hematomas sejam de amor não de dor, assim como as lagrimas e a palpitação no coração, que sejam mais atitudes menos palavras, que eu possa um dia fazer das minhas palavras arma e não apenas escudo, e eu possa ao invés de publicar um livro assinar uma carta de alforria, daquelas que me tornaria livre de mim mesma, desses medos que servem de algema, de uma vida que vem em forma de tapa na cara. 

- Andressa Andrew

Amor e outras drogas


Amor e outras drogas, não, apenas amor para mim, porque ele em si já é como um ecstasy que dá sensações de bem estar mais futuramente vem a ser deprimente. Perigoso não? Sim, um perigo que investi em mergulhar, estou amando. Você, a droga que me vicia, me entorpece, me enlouquece, me vejo perigosamente encantada por esse sorriso que me paralisa, essas mãos que aquecem esse toque que me estremece, estou com febres de desejo, esse que arde e que em impulso me faz ir em direção a tua nuca envolvendo minhas mãos no nó que faço em teus cabelos lisos. Você me faz ser o lado negro, desperta a fera que sempre esteve presa, não mais obsoleta, sendo usada pelas suas artimanhas de também amar. Seguimos assim então sem muitas regras, apenas guiados pelos sentidos, esses que juntos se sentem demais, que se tem do avesso, de um lado para o outro, e se encontram depois quietos presos no abraço que sufoca que acalma que traz o perfume, o aroma de perfumes misturados, laçados, entrelaçados. E então se for pecado, eu estou pecando, estou amando, estou confiando, estou arriscando. Por vezes a serenidade bate, o romance, as luzes cheias de detalhes, os detalhes mais brilhantes, é acho que é o amor. Tudo se torna mais calmo, mais lento, o sorriso se forma com facilidade nos lábios, há é o amor. Às vezes triste, às vezes feliz, me vejo então nessa contradição que gosto, pois amor é eterno e não tem como eu me livrar, mesmo que eu queira, mesmo que você queira, estamos ligados nessa correndo romancista que não ira se desfazer. Finalizemos então não com um ponto final e sim com um clichê que servira de reticencias para nossa eterna historia de amor confusa “eu te amo”


- Andressa Andrew

domingo, 15 de janeiro de 2012

Crescer não é nada fácil, ter que enxergar que os sonhos da infância nada passaram de contos de fadas, desses que só existem em livros escritos por adultos que enxergavam o mundo além desta realidade cruel e estranha. Este real que agride que te cobra que toma suas energias num cálice de cristal, até você se encontrar em pó, preste a ser levado por qualquer vento que te bata. Trocar desenhos animados e massinhas de modelar por responsabilidade e magoasnão é nada fácil ou prazeroso. As cantigas de ninar me fazem falta nas noites aonde o bicho papão vem me visitar, contar carneirinhos é em vão hoje em dia, a magia se perdeu em meio aos milhares de frustações acumuladas. Bastasse perder o encanto, também perdi pessoas, os tais jurados amigos para sempre se eternizaram em um passado que não se revive que apenas volta em forma de lembranças para tornar as coisas ainda piores. Maturidade não é algo que brota de repente com um pouco de pó de pirlimpimpim, ela é um pouco como as árvores que crescem lentamente e enfrenta chuva, sol, temporal, algumas vezes perdem suas folhas. Sofrem com as agressões naturais até se tornarem robustas e fortes. Elas também são marcadas por amores, exemplifico dizendo sobre o coração tatuado com as iniciais do casal apaixonado em seu tronco, posso dizer então que me sinto como árvore. Nasci pequena, cresci e a medida do tempo passei por dadivas e tempestades, essas que levaram pedaços de mim junto ao vento, como as folhas. Aprendi em meio ao sol, chuva e luar, fui marcada pelo amor. Tudo passou lentamente, um pouco de cada vez, posso dizer que ainda não sou forte ou madura suficientemente, ainda mais que as coisas parecem piorar sempre. Se eu pudesse voltar, voltaria para lá, embaixo da minha cabaninha em meu quarto, aquela com os lenções de minha mãe onde estava rodeada de meus ursos de pelúcia, aonde eu podia estar salva do mundo de fora, aonde eu tinha meu mundo perfeito.Hoje as coisas são diferentes, o tempo não passa ele corre, e às vezes não consigo acompanha-lo, às vezes eu só queria pausar essa loucura e ver apenas os detalhes passarem por mim como câmera lenta, sentir os aromas e sorrir para a manha. A plenitude da beleza natural com toda certeza me fariam um grande bem. Mais o mundo esta ocupado demais para tentar entender oque quero dizer. Eu só queria que os telefonemas fossem substituídos por diálogos presenciais, que as pessoas soubessem o quanto um abraço pode ser mais valioso que o dinheiro, eu queria a simplicidade do tempo dos meus avós de volta. Que todos nós pudéssemos ser eternas crianças, que amam verdadeiramente e são límpidas como as águas cristalinas de uma serra. Falta paz, pureza e verdade no mundo, falta muita coisa por aqui, me falta, e o vazio me deixa assim, nesse estado de nostalgia de um tempo que não volta mais. Que venha então a vida adulta, a que eu queria que não existisse.


- Andressa
E através desta cortina de águas eu ainda consigo enxergar o brilho solar, imersa em mim mesma, desbravando-me. Sou a carta sem destinatário, aquela que fica escondida na gaveta a espera de uma certa coragem de ser entregue, aquela que por vezes se encontra nas garrafas de vidro jogadas ao mar. Sou o canto de sereia que hipnotiza, me hipnotiza, e me vejo presa em mim, medo de me afogar. Sou a caravela abandonada no porto, que contem historias e segredos, que é valiosa e antiquada. Sou um mar meu caro, a maré baixa, as ondas altas, o acervo de corais, sou a beleza que resplandece nas cristalinas águas da vida. Sou a sereia de vidro, que trinca com os temporais a beira mar, frágil e que pode se quebrar. E enquanto estou perdida em mim os pensamentos balburdiamconstantemente, vou me deixar levar por essas águas, quem sabe um dia encontre o porto e possa voltar, possa cravar as raízes como os pássaros do campo, uma liberdade meio prisão, vocês não podem compreender.


- Andressa
Olha vejamos, sinta a profundeza que existe por traz daquele olhar um pouco ofusco e embaçado devido ao tempo que passou e veio a maltratar e pisar. Observe bem o arrepiar de sua pele, não é a mais macia e não tem como pinceladas a cor do pecado e muito menos vem a ser a mais perfumada de todas, mais tem aroma de amanhecer, aquele que acorda preguiçoso por entre as cortinas da janela. Seus lábios não são suaves como às perolas encontradas no fundo de um oceano, mais alguns marujos já afirmaram se perder por entre aquele mar cor de um rosa pálido mais para o lado de salmão, estes lábios que por vezes são ressecados pelas não afirmações da vida. Seu corpo não é como os de capa de revistas modelados por uma sociedade cega, e esta de longe ser um, mais ela gosta das curvas que ele tem, pois ela sabe que nos dias de frio seu bem querer se encaixa perfeitamente nas gordurinhas expostas e jamais poderá então vir a se congelar a tornar seu cuidado gélido. Suas mãos são pequenas, delicadas e um pouco ásperas, depende de quem ira sentir seu toque, elas agem como um camaleão. Os cabelos apesar de soltos serem bonitos, com os embaraços de um natural ela prefere por mantê-lo preso, o vento a bater em sua nuca tem um refresco maravilhoso. Uma escultura denominada menina, dessas que brotam na terra apenas de uma em um milhão de vezes, a joia perdida em meio a tantas ovelhas brancas, mais entre todos os seus trejeitos, jeitos e detalhes únicos um se destaque com maior força, olhe bem dentro daqueles olhos pedintes de carinho, olhe bem ao fundo daquele olhar, consegue ver? O que mais me encanta neste reflexo e tua beleza interior, esse florar de delicadeza e cuidados, esse paraíso perdido dentro de ti pequena, acredito que no dia que souberes desbravar esse tesouro ele resplandecera por entre teus traços, esses expostos ao sol. 


- Andressa
Esse frio que toma conta de minha pele se torna minúsculo diante desta sensação inexplicável que atormenta meu estomago. É algo que queima e sobe de encontro ao coração, como uma ânsia depois de muito se alimentar, apenas como, pois ao mesmo tempo parece com vazio, chego a me arrepiar. E este fato fez sentir-me um tanto quanto sozinha agora, olhei pela janela e apenas vi um céu nublado, entristecedor. Na verdade todas as sensações estranhas são uma junção de um cansaço, de rotinas e mesmice, tudo esta muito igual, sinto falta de extrapolar nos dias, mesmo que por pequenos detalhes. Sinto falta até de escrever, nem as palavras querem me acompanhar mais, talvez meus porque esteja cravado em minha pele algo do tipo “não se aproxime, perigo”, e por isso me vejo tão sozinha. Só mesmo estando cercada, uma solidão plenamente minha talvez eu sinta falta de minha própria companhia, dos meus pensamentos criativos de que tudo pode ser bom, que apenas depende de como olhamos e como acreditar, falta de ver amor como algo reluzente, não escuridão. Posso agora no silencio me recordar de ontem à noite, onde deitei minha cabeça sobre o travesseiro tentando encaixa-la perfeitamente, tentando encontrar algum conforto em meio à gélida madrugada. Recordo-me que mesmo de olhos abertos tudo era escuro, negro e pude perceber que sempre haverá escuridão, estando de olhos fechados ou abertos, o fato é que você tem que se acostumar a estar em meio a ela e conseguir viver mesmo assim, ou será tomado e começara a fazer parte dela, esta é a diferença. E depois deste súbito relâmpago de pensar devo então deixar de lado essa angustia, antes que eu me torne escuridão, antes que o pouco de luz que reluz de mim se apague de vez, devo acreditar que dias melhores estão por vir, e amanha o sol raiara sobre minha janela, devo acreditar.


- Andressa