quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Escritora da saudade


E de pouco saber viver no presente me vejo então escritora da saudade, dedilhando sobre as teclas sutis entre letras de um papel vago as lamentáveis nostalgias de uma época em que sabia ser. Pois a vida é meio que assim, viver é relativo a ser, pois quem sabe desvendar-se e cravar esses detalhes no cotidiano se sobressai, e saem, e vivem e estão repletos da almejada felicidade idealizada por tantos. A minha eu idealizo todos os dias em textos imensos de frases clichês e profundas ao mesmo tempo, com a esperança de que um dia elas venham a se reerguem, criem vida e sejam reais, pois eu já ando cansada de fazê-las nascer e em todas lamentar sempre a realidade. Talvez eu deva mesmo continuar sendo impressa por mim mesma em letras garrafais, ou até mesmo continuar recitando minhas rotinas incessantes para que em cada virgula, ponto ou reticencia eu possa ter esperanças de que esses versos um dia sejam poemas, daqueles bem intensos e arrebatadores, que fazem os pelos arrepiarem e o coração pulsar mais forte, que a minha vida possa finalmente ser um adrenalina solta na veia. Que os beijos sejam intensos, que os lenções sejam desarrumados, que as mãos corram pelo corpo, que eu gire em minha loucura de ser. Que a pele transpire, que os hematomas sejam de amor não de dor, assim como as lagrimas e a palpitação no coração, que sejam mais atitudes menos palavras, que eu possa um dia fazer das minhas palavras arma e não apenas escudo, e eu possa ao invés de publicar um livro assinar uma carta de alforria, daquelas que me tornaria livre de mim mesma, desses medos que servem de algema, de uma vida que vem em forma de tapa na cara. 

- Andressa Andrew

Nenhum comentário:

Postar um comentário