E de pouco saber viver no
presente me vejo então escritora da saudade, dedilhando sobre as teclas sutis
entre letras de um papel vago as lamentáveis
nostalgias de uma época em que sabia ser. Pois a vida é meio que assim, viver é relativo a
ser, pois quem sabe desvendar-se e cravar
esses detalhes no cotidiano se sobressai, e saem, e vivem e estão repletos da almejada felicidade idealizada por
tantos. A minha eu idealizo todos os dias em textos imensos de frases clichês e
profundas ao mesmo tempo, com a esperança de que um dia elas venham a se
reerguem, criem vida e sejam reais, pois eu já ando cansada de fazê-las nascer
e em todas lamentar sempre a realidade. Talvez eu deva mesmo continuar
sendo impressa por mim mesma em letras garrafais, ou até mesmo
continuar recitando minhas rotinas incessantes para que em cada virgula, ponto
ou reticencia eu possa ter esperanças de que esses versos um dia sejam poemas,
daqueles bem intensos e arrebatadores, que
fazem os pelos arrepiarem e o coração pulsar mais forte, que a minha vida possa finalmente ser um adrenalina solta na
veia. Que os beijos sejam intensos, que os lenções sejam desarrumados, que as
mãos corram pelo corpo, que eu gire em minha loucura de ser. Que a pele transpire, que os hematomas sejam de amor não de dor, assim como as lagrimas e a palpitação
no coração, que sejam mais atitudes menos palavras, que eu possa um dia fazer
das minhas palavras arma e não apenas escudo, e eu
possa ao invés de publicar um livro assinar uma carta de alforria, daquelas que me tornaria livre
de mim mesma, desses medos que servem de algema, de uma vida que vem em forma
de tapa na cara.
- Andressa Andrew
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