domingo, 15 de janeiro de 2012

E através desta cortina de águas eu ainda consigo enxergar o brilho solar, imersa em mim mesma, desbravando-me. Sou a carta sem destinatário, aquela que fica escondida na gaveta a espera de uma certa coragem de ser entregue, aquela que por vezes se encontra nas garrafas de vidro jogadas ao mar. Sou o canto de sereia que hipnotiza, me hipnotiza, e me vejo presa em mim, medo de me afogar. Sou a caravela abandonada no porto, que contem historias e segredos, que é valiosa e antiquada. Sou um mar meu caro, a maré baixa, as ondas altas, o acervo de corais, sou a beleza que resplandece nas cristalinas águas da vida. Sou a sereia de vidro, que trinca com os temporais a beira mar, frágil e que pode se quebrar. E enquanto estou perdida em mim os pensamentos balburdiamconstantemente, vou me deixar levar por essas águas, quem sabe um dia encontre o porto e possa voltar, possa cravar as raízes como os pássaros do campo, uma liberdade meio prisão, vocês não podem compreender.


- Andressa

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